quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

Devoto dos Santos Urbanos

Quase não rezo para ninguém
E em nada acredito.
Minha fé só sorri
Para os santos urbanos.

Oro para o mendigo
Da rua debaixo da minha.
Ele é o santo sem casa
Santo dos dois cachorros que lhe acompanham
Santo da carne magra
Santo da morte que não veio.

Por sorte
Na última noite de chuva
Minha “fé” deve ter sido forte,
O santo sem casa se abrigou
Debaixo de umas telhas quebradas.
O santo divinamente seco.
O santo dele é forte.

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