quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

Mais Uma Noite Qualquer

As três horas da manhã
Todos os barulhos pela janela
Em sincronia
Em sinfonia
Não me deixaram dormir.
Virei de um lado para o outro
Assim como os carros,
De lá para cá.

Desisti
Fui até a cozinha
Em passo lento
Sonolento.
Esvaziei todo o café
A xícara parecia não me dar fé.

Dizem que a noite é uma criança
Mas me lembro
Que quando era uma
Mesmo antes do sono ficar enorme,
Dormia cedo.

Essa noite parece
Que nunca dorme.

Miragem

Teu amor
Foi miragem
No meu deserto.
Por mais que eu quisesse
Sua boca nunca
Esteve perto.

Devoto dos Santos Urbanos

Quase não rezo para ninguém
E em nada acredito.
Minha fé só sorri
Para os santos urbanos.

Oro para o mendigo
Da rua debaixo da minha.
Ele é o santo sem casa
Santo dos dois cachorros que lhe acompanham
Santo da carne magra
Santo da morte que não veio.

Por sorte
Na última noite de chuva
Minha “fé” deve ter sido forte,
O santo sem casa se abrigou
Debaixo de umas telhas quebradas.
O santo divinamente seco.
O santo dele é forte.

Há vida na Selva de Pedra - I

Te vi
Entre prédios
Opacos e escuros pela noite
Tua luz, tua cor
Fizeram a selva de pedra
Parecer um paraíso de arco-íris.


Desde então,
Passo pela mesma rua
Todos os dias

Abraço Forte

Preciso de alguém
Que me abrace forte
Que me quebre todo.
Que me acabe
Em mil pedaços.

Quero alguém
Que não se importe
Depois de alguns fortes abraços
Seja como for
Juntar todos meus pedaços
E recolá-los com amor.

Amores

Por Favor:
Antes de te amar,
Eu preciso
Me alongar.