quarta-feira, 5 de novembro de 2014

O Homem Efêmero

Me contaram uma história
Não lembro quem contou
Só sei que contaram
A história do Homem Efêmero.

Ele nascia
Florescia
E a noite morria.
Vivia uma vida em umdia.

Diziam que era umadoença rara
Que não teria cura.
Mas que cura poderiater
Para quem se cura detudo em um dia?

De manha cedo
Acordava aos prantos
Parecia ter medo
Dos anos que viriam emtantos.

Crescidinho faziabirra no café
Dizia que não gostavade torrada
Mas assim queinsistiam
Dava logo uma e outradentada.

No almoço já era quaseadolescente
Queria comer rápido elogo sair correndo
Mas para onde?
Para o tempo, quemsabe.

Passava-se a hora
E ele envelhecia
O ponteiro ia embora
E o sono da juventudeele dormia.

Dormia bem pouco
Uns 5 minutos
Era o relato de
Uma idade de louco.

A tarde queria tudo
Experimentava tudo
Até que uma hora viaque não gostava
E experimentava denovo para confirmar.

O raio de sol ia sefindando
E adulto ele jáestava.
Saia de casa com pé naporta
Queria aproveitar ashoras que lhe restava.

Saia de casa à procurade algo
Ou de alguém
Queria testar aquilo
Que achava que poderiafazer bem.

Encontrava na noite
Uma ou outra que lhequeriam.
Deitavam e colocava emprática
Toda adultez quesabiam.

Depois de aproveitar acarne
Voltava a pé pelomesmo caminho
Com dores nas coisas
Andava reclamandosozinho.

Chegava em casa
Ofegante e cansado
Respirava bem fundo
A cada passo dado.

Deitava-se e lembrava
Da infância e do seueu adulto.
E a cada minuto quelhe passava
Dizia que morrer era uminsulto.

Escutava a mortechegar
De leve, de mansinho.
Para ele não escutar
E morrer quietinho.

Logo o velho Homem Efêmeroia
Com a morte de mãosdadas
Mal ele sabia
Que a aurora da suavida seria renovada.

De novo
De novo
E sempre.

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