terça-feira, 25 de novembro de 2014

Linhas Perdidas

O ventilador não venta mais.
O café ficou ruim, apenas.
Os galhos que batiam na minha janela cansaram.
Os pássaros dormem para não cantar.
A televisão não interte.
A ponta do lápis quebrou ligeiro dessa vez.
A luz acha que me engana, mas vejo ela piscar.
O epitáfio ficou curto demais.
Escrevo para não pensar.

Exílio Atrás da Porta

O portão foi fácil.
O cadeado gasto,
Que tanto me preocupa em noites quaisquer,
Abriu numa velocidade espantosa.
O caminho do portão até
A porta de casa
Percorri rápido igual ao
Que é feito numa maratona.
A chave da porta,
Surgiu da mesma forma
Que minha angústia veio à tona.
A chave torceu quase quebrando
E com dores pelo esforço que fiz
Empurrei a porta com a força de um gigante.
Porta aberta
E toda a poeira dos meus móveis
Afastou a maioria dos problemas
Que por mais uma vez,
Ficaram atrás da minha porta
De madeira velha.

Minha barreira de problemas
É uma porta branca desbotada
E uma maçaneta enferrujada.

Preocupação Poética

Ando de um lado
Para o outro
Acho que a sala da minha casa
Já nem me aguenta mais.
Minha movimentação é disforme
Em zig e zag
Pra lá e pra cá
Até vejo as molduras
Cochichando sobre o que há.
Procuro pela cama
E não vejo nada.
Em todos os cômodos,
Não acho a palavra certa e nem errada.
Minha rima brinca de esconde
Acorda todo santo dia
Se metendo não sei onde.

Quase Poesia da Sexta-feira.

Quase todo mês
Um cientista fala
Que um meteoro
(Ou algo parecido)
Vai acabar com a
vida na Terra.
Quase toda sexta
Eu saio para beber
Alguma cerveja diferente
(Ou algo parecido)
Mas isso sempre me faz
Ficar meio distorcido.
Eu (não) sou um cientista das sextas.

Figurante da Vida Postiça

Tem dias que eu ando
De cabeça baixa e nem percebo.
Tem vezes que meus dias vivo
Vivendo daquilo que recebo.
As vezes tudo parece de plástico
Já mal sinto o gosto da comida também.
Os dias parecem de elástico
Parece que só sou mais um alguém.
Acho que até da minha vida
Sou apenas figurante.
No meu roteiro nem sou o cão
Pois me sinto como hidrante.

Da Felicidade (?)

Tem dias
Que minha felicidade anda solta,
Sorri para qualquer um.
Mas tem dias
Que ela se esconde tão bem,
Que procuro e não a acho em lugar nenhum.

quarta-feira, 5 de novembro de 2014

O Homem Efêmero

Me contaram uma história
Não lembro quem contou
Só sei que contaram
A história do Homem Efêmero.

Ele nascia
Florescia
E a noite morria.
Vivia uma vida em umdia.

Diziam que era umadoença rara
Que não teria cura.
Mas que cura poderiater
Para quem se cura detudo em um dia?

De manha cedo
Acordava aos prantos
Parecia ter medo
Dos anos que viriam emtantos.

Crescidinho faziabirra no café
Dizia que não gostavade torrada
Mas assim queinsistiam
Dava logo uma e outradentada.

No almoço já era quaseadolescente
Queria comer rápido elogo sair correndo
Mas para onde?
Para o tempo, quemsabe.

Passava-se a hora
E ele envelhecia
O ponteiro ia embora
E o sono da juventudeele dormia.

Dormia bem pouco
Uns 5 minutos
Era o relato de
Uma idade de louco.

A tarde queria tudo
Experimentava tudo
Até que uma hora viaque não gostava
E experimentava denovo para confirmar.

O raio de sol ia sefindando
E adulto ele jáestava.
Saia de casa com pé naporta
Queria aproveitar ashoras que lhe restava.

Saia de casa à procurade algo
Ou de alguém
Queria testar aquilo
Que achava que poderiafazer bem.

Encontrava na noite
Uma ou outra que lhequeriam.
Deitavam e colocava emprática
Toda adultez quesabiam.

Depois de aproveitar acarne
Voltava a pé pelomesmo caminho
Com dores nas coisas
Andava reclamandosozinho.

Chegava em casa
Ofegante e cansado
Respirava bem fundo
A cada passo dado.

Deitava-se e lembrava
Da infância e do seueu adulto.
E a cada minuto quelhe passava
Dizia que morrer era uminsulto.

Escutava a mortechegar
De leve, de mansinho.
Para ele não escutar
E morrer quietinho.

Logo o velho Homem Efêmeroia
Com a morte de mãosdadas
Mal ele sabia
Que a aurora da suavida seria renovada.

De novo
De novo
E sempre.

Poema dos Bardos



Sobre heróis e montanhas
Sobre derrotas e glórias
Lá vão os bardos cantando
Lá vão os bardos com suas histórias.

Com sua poesia afiada
E seu alaúde na mão
Eles cantam bem alto
O herói, o povo e o dragão.

Os dragões voam alto
A terra é gelada
Canções puras e divinas
Sem nenhuma nota errada.

Histórias mágicas
Poesias fantásticas
Eles contam histórias de vidas
Vitoriosas e dramáticas.

As florestas guardam segredos
Que a aurora do dia não revela
Eles seguem sem medo
Cantando sua canção singela.

E quando as canecas se chocam
Na taberna eles seguem
Bebem e bebem mais
Até que as garrafas sequem.

Sobre heróis e montanhas
Sobre derrotas e glórias
Lá vão os bardos cantando
Lá vão os bardos com suas histórias.

Da Maturidade

Você percebe
Que está velho
Quando as ideias
Viram projetos
E as conversas
Se tornam reuniões.

Das Faculdades Mentais

Larguei
Todos meus
Diplomas
Quando te vi
Pela primeira
Vez.

Sobre Parar de Escrever

Existe uma tristeza em minha alma
Que não sei explicar
Não se pode explicar.

Quando paro de escrever
Parece que algum sentimento estranho
Arranha o meu ser.

Quando minha mente
- Que é vaga
Se enche de não-poemas
Sinto cheiro de algo que estraga.

Meu Quarto e Seus Significados Espalhados

Meu quarto
É meu reinado
E nesses poucos metros onde reino
Reino muito quando algo fica fora do lugar.

Odeio quando algo fica longe
Dos olhos do rei, eu.
Meu quarto serve para perder só problemas:
Quando fecho a porta o problema é só meu.

Guardo bem escondido
Entre as cuecas e meias na gaveta
Todo sentimento reprimido
Que me fez querer viajar para fora segurando um cometa.

Do lado dos meus livros
Entre os quadros e a estante
Deixo os amores não correspondidos,
Sou um colecionador angustiante.

Tem vezes que me preocupo
Com o dia que se resumiu em lama
Mas tem vezes que de nenhum problema me ocupo
Só com as roupas que deixei em cima da cama.

No meu quarto
Sou rei
E o resto
Nem sei.

O Calor e Suas (Não!) Maravilhas

Em tom de piada
Que beirava a zombaria
O mosquito saia na maior gritaria
Rindo no meu ouvido depois da picada.

Piratas do Alto Mar

Lá estava o pirata,
Olhando o convés
Com o bolso cheio de prata
E as botas apertando os pés.


Piratas levam a vida
Com pouca terra e muito mar
Piratas procuram rum e mais bebida
Piratas querem o bar.

Pirata que é pirata
Não tem nenhuma família
Pirata que é pirata
Ama as donzelas da cidade e da ilha.

Levam seus dias
No mar e no vento
Piratas só sofrem com a covardia
Das roupas que não secam ao relento.

E quando tudo tiverem roubado
Sairão com seus barcos cantando
Que são felizes mesmo acabados
Pois suas armas ainda estão brilhando.

Mas esse é um relato
De um pirata aposentado
Sem tapa-olho e o papagaio chato
Saiu da água pois lá não quer ser enterrado.

O barco partiu sem mim
Fiquei em terra com o rum
Os piratas seguirão até o fim
Até não sobrar bebida em lugar algum.

Óculos Escuros, Por Hoje

Por hoje,
Só por hoje
Ficarei de luto
Andarei o dia inteiro
De óculos escuros.


Por hoje,
Mas só por hoje
Negarei a luz
Não quero nenhuma claridade
Iluminando a escuridão
Dos meus problemas.
Mas só por hoje mesmo.

Colha o que Quiser

Me deixa andar
Me encontrar perdido.
Me perco querendo estar
No teu colo acolhido.


E até por
Um segundo
Teu colo
Acolhe
Meu mundo.

Cúmulo

Teimosia
É morar
Perto da praia
Mas odiar
A maresia.

Mania de Colecionar

Quando eu era pequeno,
Colecionava coisas inúteis.
Quardava tudo que me agradava,
E assim seguia feliz,
Do lado do que me fazia bem.


Quando envelheci,
Mantive minha mania.
Só que agora muito mais fria,
Colecionava alguns sentimentos
Mas principalmente aqueles momentos
Que estragaram meu dia.
Eu sempre colecionei coisas inúteis.

Pluralidade dos Jeitos

O meu coração consegue
Ser singular e plural:
Singular pois só ama uma,
Plural pois sabe encontrar várias em uma.

Eleições

Eu voto no teu olhar,
E de vice quero teu sorriso também.
Já que é pra votar,
Escolho o que nos representa tão bem.