sexta-feira, 4 de julho de 2014

PorCofrinho

Do alto da estante ele olhava
De cantinho, mas com desejo de lá embaixo estar
A quantidade de gente que por ali passava
Ele só queria descer, passear.

Pensava e pensava,
Mas não sabia o que ele mesmo seria
Imaginava e imaginava
Queria saber o que o futuro o traria.

Na dúvida que se fazia
Ou porco ou cofrinho
Adotou o nome que anotado veio na embalagem que o trazia
Chamou-se, então, de Porcofrinho!

Porcofrinho não era porco que fuça e ronca
Nem cofre que só moeda na vida guardou
Era porco que de tão ficar parado merecia bronca
Era cofre que de tão bonito, nunca dinheiro faltou.

De tanto ver gente alegre
Até ficava triste por nada poder fazer
A tristeza batia e ele achava que era febre
Mas na verdade, pela fresta da janela era o sol que nele insistia em bater.

Cansado de ficar parado
Decidiu montar um plano
Iria se concentrar, sacudir até que movimento tivesse criado
Para lá em baixo cair, que porco-cofre insano!

Dito e feito,
Porcofrinho caiu e se quebrou.
E agora a dor no peito:
Ninguém sabia como, ninguém o consertou.

A família muito triste
Comovida e sensível
Não imaginava que o amor pelo vidro também existe.
Juntou suas partes e tentou o impossível.

Chamou um senhor que fazia brinquedo
Pediu que com o material dado, refizesse a alegria da casa.
Podia não dar certo, todos ficaram com medo.
Que sentimento estranho a família sentia, pois era apreensão que os tomava.

Alguns dias haviam passado
E lá o senhor dos brinquedos de volta estava
Entregou a encomenda, a lágrima pelo rosto da família quase escapava.
O grande dia havia chegado.

Desembrulharam com velocidade
E assim que o embrulho saiu, veio toda a felicidade.
O senhor, que pago foi com o dinheiro do cofrinho,
Criou agora um porco que era só brinquedo, brinquedinho.

Nada mais o porco brinquedo queria,
Seu sonho de ser brinquedo se realizaria.
Pela mão de todos agora ela passava.
Agora seu futuro, imaginar mais ele nem precisava.

Porcofrinho,
Que agora é porco brinquedo
Viveu feliz e sentiu o amor de bem pertinho.
Agora dentro do cofre do peito, ao invés de moedas, guardava o mais belo enredo.

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