sexta-feira, 4 de julho de 2014

Fadiga

Subo de elevador
Pois a fadiga me dera uma vida cansada.
Na descida, todo santo ajuda.
Ainda bem, prefiro ver o paraíso pela escada.

Eureka!

Ele acordou de madrugada gritando:
- Eureka, Eureka! Consegui o que precisava!
Logo se ouviu o murmurar dos vizinhos reclamando:
- Vá dormir, nos deixe voltar ao mundo que nosso sonho passava!

Todos o chamaram de louco
E alguns até de demente.
Mas ele sabia que disso, não tinha nem um pouco:
Dizia que só tinha um ritmo criativo diferente.

Tu, Canção

Se tu,
Que enches meu ouvido
Com falar doce
E de dizer melodioso,
Fosse uma música à capela,
De violão
Ou de viola
Seria daquela
Que depois de mil vezes escutada
Se sai cantando por ai.
Seria música que se cantarola.

Nostalgia

Olho o passado,
E o sentimento da saudade me vem.
A alegria que antes a vida tenha me dado
É sinal que o passado ainda me tem.

PorCofrinho

Do alto da estante ele olhava
De cantinho, mas com desejo de lá embaixo estar
A quantidade de gente que por ali passava
Ele só queria descer, passear.

Pensava e pensava,
Mas não sabia o que ele mesmo seria
Imaginava e imaginava
Queria saber o que o futuro o traria.

Na dúvida que se fazia
Ou porco ou cofrinho
Adotou o nome que anotado veio na embalagem que o trazia
Chamou-se, então, de Porcofrinho!

Porcofrinho não era porco que fuça e ronca
Nem cofre que só moeda na vida guardou
Era porco que de tão ficar parado merecia bronca
Era cofre que de tão bonito, nunca dinheiro faltou.

De tanto ver gente alegre
Até ficava triste por nada poder fazer
A tristeza batia e ele achava que era febre
Mas na verdade, pela fresta da janela era o sol que nele insistia em bater.

Cansado de ficar parado
Decidiu montar um plano
Iria se concentrar, sacudir até que movimento tivesse criado
Para lá em baixo cair, que porco-cofre insano!

Dito e feito,
Porcofrinho caiu e se quebrou.
E agora a dor no peito:
Ninguém sabia como, ninguém o consertou.

A família muito triste
Comovida e sensível
Não imaginava que o amor pelo vidro também existe.
Juntou suas partes e tentou o impossível.

Chamou um senhor que fazia brinquedo
Pediu que com o material dado, refizesse a alegria da casa.
Podia não dar certo, todos ficaram com medo.
Que sentimento estranho a família sentia, pois era apreensão que os tomava.

Alguns dias haviam passado
E lá o senhor dos brinquedos de volta estava
Entregou a encomenda, a lágrima pelo rosto da família quase escapava.
O grande dia havia chegado.

Desembrulharam com velocidade
E assim que o embrulho saiu, veio toda a felicidade.
O senhor, que pago foi com o dinheiro do cofrinho,
Criou agora um porco que era só brinquedo, brinquedinho.

Nada mais o porco brinquedo queria,
Seu sonho de ser brinquedo se realizaria.
Pela mão de todos agora ela passava.
Agora seu futuro, imaginar mais ele nem precisava.

Porcofrinho,
Que agora é porco brinquedo
Viveu feliz e sentiu o amor de bem pertinho.
Agora dentro do cofre do peito, ao invés de moedas, guardava o mais belo enredo.

InfiniTempo

Contigo,
Toda solidão desaparece.
O tempo vem e nem ligo,
Toda vida envivece.

Sinal da tua presença,
É a confirmação de toda minha crença
De que o relógio faz pirraça
A hora mais rápido nele passa.

Quem dera
Que o tempo
Fosse infinito.

Poema Sincero

Te invado,
Sem permissão ou licença.
Como se soubesse todo teu pecado,
Como se já não bastasse nenhuma crença.

Sei mais das tuas verdades,
Do que poderias imaginar, eu espero.
Sem querer, exponho toda a tua fragilidade
Não sou cruel e nem mal intencionado, sou só um poema sincero.

Sexta 13

Ah, o azar:
Gato preto cruzou minha frente
A escada aberta insistia em meu caminho ficar
Ah, sexta - feira 13 não poderia ser diferente!

Ah, o azar!
Quisera que fosse só um dia por ano.
Ah, o azar!
Toda superstição é um mero engano?

Gato 13

Hoje é sexta-feira 13. Sim. Quando saia de casa pela manhã um gato preto cruzou meu caminho. Olhei com aquele olhar estereotipado "Sexta 13 e esse bicho me aparece". Normal. Mas aqueles olhinhos de tristeza dele me olharam e parecia que retrucava " Ó, humano. Ó, humano! Não me julgues, posso ser símbolo do azar mas julgar por estereótipo é sinônimo de ignorância!" Ele me convenceu. O abracei, rimos e brincamos. Ele me arranhou. Está sangrando. Me ajude. Maldita sexta-feira 13 e suas armadilhas!

Procrastinação

Pensei em escrever um poema
Mas

Pensei.

Quebra-cabeça

Depois que o acaso nos juntou,
Demos risada
De toda peça errada
Que antes na vida não se encaixou.

Diminuto

Traz tua amargura,
Vem juntar com a minha.
Que esqueçamos toda a desventura,
E o problema seja sempre probleminha.

Só Dormir

A distância entre a cama e o interruptor
Foi o tempo necessário para refletir
Que era melhor nem acender, deixar meus problemas em negror,
Voltar para cama e dormir, só dormir.

(In)

Estávamos distantes
Mas não um cômodo ou outro nos separava
Entre nós
Havia
Um
Incômodo.

Mordiscada

Essa mania de tentar tirar um pedaço meu.
Mas sempre é vez perdida,
Pare com essa mordida
Já sou todo seu.

Notívago

Durmo tarde
Pois minha mente não cansa.
Meu corpo pede um sono de eternidade
Mas fico lá, revivendo qualquer lembrança.


(Notívago: Indivíduo que admira a vida noturna; que prefere conviver à noite.)