terça-feira, 3 de junho de 2014

Ela enquanto descia do ônibus,
Dava um olhar de adeus, até logo talvez.
Seu olho triste questionava o ônus: 
Por que não nos falamos mais uma vez?  

E ele ficava parado,  
Nem uma palavra da sua boca saia.  
Lá sem saber ficou calado,  
Perdeu as oportunidades que um simples oi traria.   

E lá mais um encontro criado pelo acaso  
Se foi sem nenhum progresso.  
E ele e ela para o futuro criavam um atraso  
Mal sabiam que para a felicidade uma conversa seria o acesso.

DiaboA4

Joguei todos meus sentimentos num pedaço de papel  
Escrevi sobre mim.  
No branco da folha, vi surgir uma criatura que não era do céu  
Quisera que ele fosse o juiz que traria para minha tristeza o fim. 

O demônio cresceu. 
Vi seus olhos sem nenhuma compaixão.  
Da minha tempestade ele não se compadeceu,

Nessa hora minha coragem estava no chão
.    
Ele me insultava  
Com palavra rude e grossa.
Me lembro que as mesmas palavras antes eu pronunciava.  
Eu era o diabo, minha nossa!   

Ele representava meu lado ruim.  
Deixei aparecer quando abri meu coração e a bondade ficou de lado. 
Mas quem é que leva esse poema ao fim,  
Esse sou eu ou somos o diabo?

Fim da Linha

Me falaram que a vida é um caminho por onde se passa ligeiro  
Que o motorista tem pressa em chegar ao fim da linha. 
Por isso peço: Seu motorista, tenha calma com a vida minha, 
Nesse caminho quero ser eterno passageiro.

Manhã Fria

Acordar nessa manhã foi maldade, 
Dormir mais eu bem queria.  
Quem na cama não quer ficar até tarde? 
Afinal, sair nesse frio é uma fria.

Da Rede Social...

Eu dou risada  
E a verdade nela não há. 
Pois até de cara fechada,  
A minha risada é KKK.

Neblina

A neblina cai  
O sereno deixa o chão frio.  
Mas nenhum mal me causa ainda, 
Por isso peço: Não invada meu pensamento,  
Não me confundas com essa névoa sua.
Peço que não me envolvas nesse seu gelado encantamento  
Ó neblina, permaneça na rua.

Teatro dos Horrores 

Que rufem os tambores 
Salva de palmas!  
Somos o teatro dos horrores  
Vamos roubar suas almas!   

Assim gritavam os artistas  
Numa solene e única voz  
O espetáculo chamava nossas vistas  
Mas o medo reinava sobre nós.  

Falavam de alegria e dor  
De todo problema rotineiro  
Falavam até daquele platônico amor  
Toda situação ganhava vida em seu roteiro.

O teatro causava medo 
Apresentação 
Choros ecoavam do meio do enredo
Eles tocam a ferida de qualquer lástima! 

O teatro era parte da cidade  
Para que todos desconfiarem dos seus 
Para todos esquecerem a bondade. 
Isso era loucura, por Deus!

Sobre Água e Saudade

O marinheiro olhava para fora do navio 
Via que a saudade lhe tomava  
E o desejo de voltar para casa o atormentava.
Mas de tormenta ele já entendia, era tudo um vazio.  
  
A tempestade mal tinha começado 
Ele com uma foto da família ficou 
As nuvens negras se movimentaram, estava cercado. 
Um inferno sob água se formou. 

A água não poderia ser seu último leito
Fez uma promessa: Da tempestade vivo sairia!
Apesar do frio, a saudade esquentava seu peito.
E a certeza que para sua casa voltaria. 

Mais chuva e mais vento!
Depois de horas resistindo bravamente  
O céu sorriu e lá se foi o tormento 
A caminho do cais seu navio seguia rapidamente.  

Da água ele já estava cheio, essa vida cansa
Mas em casa finalmente, a família não mais o largou 
Seu peito não resistiu e pelos olhos transbordou
As lágrimas formaram um mar de água mansa.

Bar das Maravilhas

Ela se olha no espelho 
Que a água forma no chão 
Vê um homem que se parece com um coelho 
Que lhe chama para o bar 
- Que tal uma bebida e uma canção?  

O bar é mais reconfortante que a rua 
Pela qual vagava sem rumo 
Mesmo aceitando o convite de forma tão pura
Ela já conhecia o gosto do álcool e o cheiro de fumo. 

Alice tentada pela fome 
Aceita um pedaço estranho de bolo 
Mas toda sua sanidade some 
Dentada digna de um tolo.   

Tudo gira em volta dela  
Tudo diminui e também ficou gigante 
As aparências ficaram tão belas  
Ela até vê um gato falante.  

Ele fala que ela precisa sair ligeiro 
Que o bar está cheio de loucos  
Cuja lucidez foram perdendo aos poucos.  
Mas Alice só queria achar o caminho do banheiro.  

Nessa viajem tortuosa
Ela esbarra com um homem de chapéu apertado
Ela se encanta pelo adereço de forma penosa 
Nem repara no olhar do homem adoidado.  

Ele a aconselha a ficar
Pois a noite estava só no inicio
E um xícara de chá ela devia aceitar
Diz que com o tempo se tornaria um vicio. 

Alice aceita o chá
Mas conselho esquece e pelo caminho da saída ela anda
Mas antes da porta ela passar e que do bar se vá 
 Ela de súbito pensa: Perdi a comanda! 

Ela tenta sair de fininho  
Mas os reis do bar não a deixam passar 
Ela explica que deve ter deixado em algum cantinho 
Mas eles só a deixariam ir se no baralho ela ganhar.  

Mas esse jogo ela já conhecia  
O cheiro de vitória estava no ar 
Os trios vencedores ela descia:
Para os adversários o fim chegou!

Alice ousou em ganhar.  
Pela porta Alice passou.
O bar ficava para trás  
Sobre a noite ocorrida ela nunca mais lembrou 
Talvez esse é o efeito que uma boa bebida e um pedaço de bolo faz.

Esquizofrenia

Essa voz me vem
De sussurro manso
De grunhido animal 
Selvagem ou doce  
Temível e por vezes sentimental.  

Essa voz me vem de mansinho  
No canto dos meus pensamentos 
Ela atravessa o meu caminho  
Me controla em certos momentos. 

E com essa voz nefasta  
Eu paro de pensar, me isolo e descubro 
Que no vazio da minha mente isso não passa 
Do meu triste fim rubro.  

Toda voz se calou.

Domingo

Te peço, por clemência  
Ainda há tempo de falar mais besteira
E por isso, passe com paciência 
Pois amanhã já é segunda - feira

Olho de Lua

Te olhei 
Mas foi de canto  
Uma passada com os olhos  
Para você não perceber.   
Te fitei rapidamente  
Com um olhar aguçado  
E por hora acreditei piamente  
Que meu olho era um abusado.   
Tentava te olhar todo momento 
Mas vai ver essa marra sua  
Me criava um tormento 
Ou quem sabe meu olho é de lua.

Crueldade

A moça lá estava 
Com seus olhos inchados.  
De tanto chorar, ela soluçava  
Talvez pensasse nos seus males passados.  
Sua tristeza me comovia  
Mas como um estranho nada pude fazer, 
Pensei em todos os consolos para dizer 
Mas lá fiquei cruelmente parado, só via.

A Lua

A lua estava fabulosa 
E se pudesse morava nela.  
Mas sua forma tão brilhosa  
Já me fazia feliz em vê-la pela janela.