sábado, 5 de abril de 2014

Enterro


Eu só quero
Que na cerimônia de minha morte
Alguém interrompa gritando
Que muitos ali não me conheciam de verdade
Pois minha flor favorita nunca foi rosa
Para que todos parassem com essa falsidade
E me comprassem logo uma planta mais cheirosa

O Palhaço

De tão triste que andava
Todos olhavam com temor
O que fazia o homem mais engraçado
Sentir tanta dor?

O palhaço da cidade
Procurava esconder o que sentia
Contava as melhores piadas que sabia
Mas nada era engraçado de verdade.

A cidade era pequena, e de tão triste que estava
Pois só tinha o circo como diversão
Decidiu chamar o prefeito que a representava
Como a ultima solução.

Lá foram os dois conversar
O palhaço tentava esconder
O prefeito tentava argumentar
A conversa acabou, sem nada resolver.

De tão triste que estava,
A pequena cidade não tinha o que fazer
Ou o palhaço se alegrava
Ou a cidade diversão não iria mais ter.

Na última apresentação da temporada
Meia duzia o assistia
O palhaço pela cortina passava
E a platéia não resistia.

O clamor era tamanho
Que tudo que se escutava
Eram as perguntas
De por que o palhaço parecia estranho.

Em meio a tanta confusão
O palhaço resolveu falar
O som estava ao incomodar
E ele não aguentava essa pressão.

Ele olhava triste
E agradecia a todos que vieram prestigiar
O circo que pela cidade estava a passar.
Com dor no coração
Ele jogou longe o nariz vermelho
Falou pro mágico devolver o coelho
E pela lágrima não conteve a emoção.

Disse que já não podia mais esconder
Que pela fama do circo, aprendera a ler
E como primeiro feito, leu um livro de poesia
E isso lhe comovia.
E que já não mais poderia
Com a tamanha responsabilidade devida
E nem mais com a graça prometida
Rir igual um palhaço, com tanta coisa triste nessa vida.

O circo fechou e o palhaço virou poeta.

Sorte


Pisar na poça de água
Perder o ônibus
Meu café ficou gelado
A espinha antes da festa
Um fio branco apareceu
Quebrei a ponta do lápis
Amar e não ser amado.
Afinal,
Eu sou o mais sortudo do mundo
Em ser azarado.

1° De Abril

Queria poder mentir todo o dia
Mas para não te causar certo dano
E que teu susto não se torne melodia
Minto só uma vez por ano.

Leitor

Hoje vivo a minha vida,
Mas nunca deixei de viver várias.
Já fui um rei,
Já matei dragões e conquistei castelos.
Advogado, médico e alguns professores
Todos já fui também.
Vivi muitos amores
Nem todos felizes, mas tudo bem.
Mas cada uma das minhas vidas eu terminava
Assim que uma nova página eu virava.

Circo

Quisera eu
Poder transformar minha vida em um circo
Fazer malabarismo com os problemas
Fazer sumir o que não me faz bem, como um mágico
Domar minhas atitudes, igual um domador de leões
Poder ser jogado direto nas partes boas, como o homem foguete.
Poder alegrar a todos que fiquem em meu espaço
E principalmente,
Rir da vida igual o palhaço.

3° Pessoa


Num pedacinho de papel
Ele anotou
Um poema em forma de cordel
Mas no final se perdeu
Naquele dia a brisa apareceu.
O vento ventou
E o papel, voou.

Igual Papel

Dobrei o que sentia
Em forma de origami
Só que desisti
Ele nunca sumia.

Mudei,
Dobrei em forma de avião
Mas não imaginei
Que era mais uma tentativa em vão.

Agora dobrei em forma de chapéu
Estava tudo bem
Até que eu percebi, óh cèus!
Ele me serve tão bem.

Cansei te tentar,
Levar pra longe o que sentia
Dobrei pela última vez, em forma de barco
Sem velas, só pra ver até onde ia
Joguei no mar
Só pra testar
Se meu sentimento um dia vai voltar.

Das Cabeças Escoradas

Se eu fosse psicólogo
Compraria um ônibus
E então abriria meu consultório
Deixaria que as cabeças escoradas nas janelas
Trabalhassem por mim.

Bebi

Da fonte do amor eu bebi
Era tão doce que me embriaguei
Por um instante, sorri
Mas se voltarei a beber, já não sei

Nossa Rua

Você segurou minha mão ao atravessar
Que cena mais bonita
Quisera eu que ela nunca fosse acabar
E a rua se tornasse infinita

Friozinho

Eu só queria
Que dentro do box do meu banheiro
Fosse verão
O tempo inteiro.

Socorro!

-Por favor, chamem o socorro!
-Por Deus, o que houve?
-Este homem ficou sem ar!
-Mas como?
-Era tímido e falou tudo o que sentia.
-E o que isso importa?
-De tão tímido e para não perder a coragem, falou tudo sem dar nenhuma pausa!

Constância

Era tudo constante
E assim criou problema
Talvez pudéssemos ir adiante
Só assim não teria fim este poema.

Esconderijo

Me escondi
Atrás de uma poesia
Só assim descobri
Que a vida é tão dura e fria

Outono

Deixo as folhas cair
Pois já é tempo de outono
Que as portas venhas me abrir
E que dos acontecimentos eu seja dono.

Tento


Tento preencher meu pensamento
Tento não pensar em ti
Esquecer o que um dia foi sentimento
Tento salvar o que ainda restou aqui

Dependência

Me disseram que sofria de dependência
Mas que mal tivera eu feito?
Por Deus, clemência!
Esquecer você, quisera eu o direito.

Das Coisas da Vida

Dizem que na vida,
Tudo é experiência
Só que para aguentar
Haja paciência

Chuva

Venha lavar minha alma
Venha transformar meu ser
Nao vá, fique calma
Eu só quero que chova e deixe chover

Tentação

Te olhei dos pés à cabeça
E como dizem, de cabo a rabo
Já não importa o que aconteça
É tentação pior do que o diabo

Das Verdades

Fui te falar a verdade
Mas descobri que ela magoa
Talvez nem seja novidade
Mas certamente, não é boa...