quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

Mais Uma Noite Qualquer

As três horas da manhã
Todos os barulhos pela janela
Em sincronia
Em sinfonia
Não me deixaram dormir.
Virei de um lado para o outro
Assim como os carros,
De lá para cá.

Desisti
Fui até a cozinha
Em passo lento
Sonolento.
Esvaziei todo o café
A xícara parecia não me dar fé.

Dizem que a noite é uma criança
Mas me lembro
Que quando era uma
Mesmo antes do sono ficar enorme,
Dormia cedo.

Essa noite parece
Que nunca dorme.

Miragem

Teu amor
Foi miragem
No meu deserto.
Por mais que eu quisesse
Sua boca nunca
Esteve perto.

Devoto dos Santos Urbanos

Quase não rezo para ninguém
E em nada acredito.
Minha fé só sorri
Para os santos urbanos.

Oro para o mendigo
Da rua debaixo da minha.
Ele é o santo sem casa
Santo dos dois cachorros que lhe acompanham
Santo da carne magra
Santo da morte que não veio.

Por sorte
Na última noite de chuva
Minha “fé” deve ter sido forte,
O santo sem casa se abrigou
Debaixo de umas telhas quebradas.
O santo divinamente seco.
O santo dele é forte.

Há vida na Selva de Pedra - I

Te vi
Entre prédios
Opacos e escuros pela noite
Tua luz, tua cor
Fizeram a selva de pedra
Parecer um paraíso de arco-íris.


Desde então,
Passo pela mesma rua
Todos os dias

Abraço Forte

Preciso de alguém
Que me abrace forte
Que me quebre todo.
Que me acabe
Em mil pedaços.

Quero alguém
Que não se importe
Depois de alguns fortes abraços
Seja como for
Juntar todos meus pedaços
E recolá-los com amor.

Amores

Por Favor:
Antes de te amar,
Eu preciso
Me alongar.

terça-feira, 25 de novembro de 2014

Linhas Perdidas

O ventilador não venta mais.
O café ficou ruim, apenas.
Os galhos que batiam na minha janela cansaram.
Os pássaros dormem para não cantar.
A televisão não interte.
A ponta do lápis quebrou ligeiro dessa vez.
A luz acha que me engana, mas vejo ela piscar.
O epitáfio ficou curto demais.
Escrevo para não pensar.

Exílio Atrás da Porta

O portão foi fácil.
O cadeado gasto,
Que tanto me preocupa em noites quaisquer,
Abriu numa velocidade espantosa.
O caminho do portão até
A porta de casa
Percorri rápido igual ao
Que é feito numa maratona.
A chave da porta,
Surgiu da mesma forma
Que minha angústia veio à tona.
A chave torceu quase quebrando
E com dores pelo esforço que fiz
Empurrei a porta com a força de um gigante.
Porta aberta
E toda a poeira dos meus móveis
Afastou a maioria dos problemas
Que por mais uma vez,
Ficaram atrás da minha porta
De madeira velha.

Minha barreira de problemas
É uma porta branca desbotada
E uma maçaneta enferrujada.

Preocupação Poética

Ando de um lado
Para o outro
Acho que a sala da minha casa
Já nem me aguenta mais.
Minha movimentação é disforme
Em zig e zag
Pra lá e pra cá
Até vejo as molduras
Cochichando sobre o que há.
Procuro pela cama
E não vejo nada.
Em todos os cômodos,
Não acho a palavra certa e nem errada.
Minha rima brinca de esconde
Acorda todo santo dia
Se metendo não sei onde.

Quase Poesia da Sexta-feira.

Quase todo mês
Um cientista fala
Que um meteoro
(Ou algo parecido)
Vai acabar com a
vida na Terra.
Quase toda sexta
Eu saio para beber
Alguma cerveja diferente
(Ou algo parecido)
Mas isso sempre me faz
Ficar meio distorcido.
Eu (não) sou um cientista das sextas.

Figurante da Vida Postiça

Tem dias que eu ando
De cabeça baixa e nem percebo.
Tem vezes que meus dias vivo
Vivendo daquilo que recebo.
As vezes tudo parece de plástico
Já mal sinto o gosto da comida também.
Os dias parecem de elástico
Parece que só sou mais um alguém.
Acho que até da minha vida
Sou apenas figurante.
No meu roteiro nem sou o cão
Pois me sinto como hidrante.

Da Felicidade (?)

Tem dias
Que minha felicidade anda solta,
Sorri para qualquer um.
Mas tem dias
Que ela se esconde tão bem,
Que procuro e não a acho em lugar nenhum.

quarta-feira, 5 de novembro de 2014

O Homem Efêmero

Me contaram uma história
Não lembro quem contou
Só sei que contaram
A história do Homem Efêmero.

Ele nascia
Florescia
E a noite morria.
Vivia uma vida em umdia.

Diziam que era umadoença rara
Que não teria cura.
Mas que cura poderiater
Para quem se cura detudo em um dia?

De manha cedo
Acordava aos prantos
Parecia ter medo
Dos anos que viriam emtantos.

Crescidinho faziabirra no café
Dizia que não gostavade torrada
Mas assim queinsistiam
Dava logo uma e outradentada.

No almoço já era quaseadolescente
Queria comer rápido elogo sair correndo
Mas para onde?
Para o tempo, quemsabe.

Passava-se a hora
E ele envelhecia
O ponteiro ia embora
E o sono da juventudeele dormia.

Dormia bem pouco
Uns 5 minutos
Era o relato de
Uma idade de louco.

A tarde queria tudo
Experimentava tudo
Até que uma hora viaque não gostava
E experimentava denovo para confirmar.

O raio de sol ia sefindando
E adulto ele jáestava.
Saia de casa com pé naporta
Queria aproveitar ashoras que lhe restava.

Saia de casa à procurade algo
Ou de alguém
Queria testar aquilo
Que achava que poderiafazer bem.

Encontrava na noite
Uma ou outra que lhequeriam.
Deitavam e colocava emprática
Toda adultez quesabiam.

Depois de aproveitar acarne
Voltava a pé pelomesmo caminho
Com dores nas coisas
Andava reclamandosozinho.

Chegava em casa
Ofegante e cansado
Respirava bem fundo
A cada passo dado.

Deitava-se e lembrava
Da infância e do seueu adulto.
E a cada minuto quelhe passava
Dizia que morrer era uminsulto.

Escutava a mortechegar
De leve, de mansinho.
Para ele não escutar
E morrer quietinho.

Logo o velho Homem Efêmeroia
Com a morte de mãosdadas
Mal ele sabia
Que a aurora da suavida seria renovada.

De novo
De novo
E sempre.

Poema dos Bardos



Sobre heróis e montanhas
Sobre derrotas e glórias
Lá vão os bardos cantando
Lá vão os bardos com suas histórias.

Com sua poesia afiada
E seu alaúde na mão
Eles cantam bem alto
O herói, o povo e o dragão.

Os dragões voam alto
A terra é gelada
Canções puras e divinas
Sem nenhuma nota errada.

Histórias mágicas
Poesias fantásticas
Eles contam histórias de vidas
Vitoriosas e dramáticas.

As florestas guardam segredos
Que a aurora do dia não revela
Eles seguem sem medo
Cantando sua canção singela.

E quando as canecas se chocam
Na taberna eles seguem
Bebem e bebem mais
Até que as garrafas sequem.

Sobre heróis e montanhas
Sobre derrotas e glórias
Lá vão os bardos cantando
Lá vão os bardos com suas histórias.

Da Maturidade

Você percebe
Que está velho
Quando as ideias
Viram projetos
E as conversas
Se tornam reuniões.

Das Faculdades Mentais

Larguei
Todos meus
Diplomas
Quando te vi
Pela primeira
Vez.

Sobre Parar de Escrever

Existe uma tristeza em minha alma
Que não sei explicar
Não se pode explicar.

Quando paro de escrever
Parece que algum sentimento estranho
Arranha o meu ser.

Quando minha mente
- Que é vaga
Se enche de não-poemas
Sinto cheiro de algo que estraga.

Meu Quarto e Seus Significados Espalhados

Meu quarto
É meu reinado
E nesses poucos metros onde reino
Reino muito quando algo fica fora do lugar.

Odeio quando algo fica longe
Dos olhos do rei, eu.
Meu quarto serve para perder só problemas:
Quando fecho a porta o problema é só meu.

Guardo bem escondido
Entre as cuecas e meias na gaveta
Todo sentimento reprimido
Que me fez querer viajar para fora segurando um cometa.

Do lado dos meus livros
Entre os quadros e a estante
Deixo os amores não correspondidos,
Sou um colecionador angustiante.

Tem vezes que me preocupo
Com o dia que se resumiu em lama
Mas tem vezes que de nenhum problema me ocupo
Só com as roupas que deixei em cima da cama.

No meu quarto
Sou rei
E o resto
Nem sei.

O Calor e Suas (Não!) Maravilhas

Em tom de piada
Que beirava a zombaria
O mosquito saia na maior gritaria
Rindo no meu ouvido depois da picada.

Piratas do Alto Mar

Lá estava o pirata,
Olhando o convés
Com o bolso cheio de prata
E as botas apertando os pés.


Piratas levam a vida
Com pouca terra e muito mar
Piratas procuram rum e mais bebida
Piratas querem o bar.

Pirata que é pirata
Não tem nenhuma família
Pirata que é pirata
Ama as donzelas da cidade e da ilha.

Levam seus dias
No mar e no vento
Piratas só sofrem com a covardia
Das roupas que não secam ao relento.

E quando tudo tiverem roubado
Sairão com seus barcos cantando
Que são felizes mesmo acabados
Pois suas armas ainda estão brilhando.

Mas esse é um relato
De um pirata aposentado
Sem tapa-olho e o papagaio chato
Saiu da água pois lá não quer ser enterrado.

O barco partiu sem mim
Fiquei em terra com o rum
Os piratas seguirão até o fim
Até não sobrar bebida em lugar algum.

Óculos Escuros, Por Hoje

Por hoje,
Só por hoje
Ficarei de luto
Andarei o dia inteiro
De óculos escuros.


Por hoje,
Mas só por hoje
Negarei a luz
Não quero nenhuma claridade
Iluminando a escuridão
Dos meus problemas.
Mas só por hoje mesmo.

Colha o que Quiser

Me deixa andar
Me encontrar perdido.
Me perco querendo estar
No teu colo acolhido.


E até por
Um segundo
Teu colo
Acolhe
Meu mundo.

Cúmulo

Teimosia
É morar
Perto da praia
Mas odiar
A maresia.

Mania de Colecionar

Quando eu era pequeno,
Colecionava coisas inúteis.
Quardava tudo que me agradava,
E assim seguia feliz,
Do lado do que me fazia bem.


Quando envelheci,
Mantive minha mania.
Só que agora muito mais fria,
Colecionava alguns sentimentos
Mas principalmente aqueles momentos
Que estragaram meu dia.
Eu sempre colecionei coisas inúteis.

Pluralidade dos Jeitos

O meu coração consegue
Ser singular e plural:
Singular pois só ama uma,
Plural pois sabe encontrar várias em uma.

Eleições

Eu voto no teu olhar,
E de vice quero teu sorriso também.
Já que é pra votar,
Escolho o que nos representa tão bem.

domingo, 5 de outubro de 2014

Nos Convém Tão Bem

Convém aos amantes
Concordar
Que agora é melhor do que antes
Depois do amor acordar.

Comprador

Dos lábios que se tocam
Das sensações que provocam
Dos sentimentos que evocam.

Os beijos teus
São o fim da minha vida chata
Será que os beijos teus
São vendidos em lata?

Vidas Breves de Quem Escreve

Tem dias que eu quero riscar
Mil papéis para que sirvam de testemunho
E quem sabe assim eu possa provar
Que a minha vida é só um simples rascunho.

Sobre Acordar

Hoje eu acordei sentimento
Hoje eu acordei amor.
Dei bom dia pra tudo
Até assoviei com os pássaros.
Dormi feliz
Abraçando o travesseiro.


Mas amanha posso acordar sentimento
Posso acordar desgosto.
Não darei bom dia pra nada
Mandarei os pássaros se calarem.
Dormirei odiando o mundo
Mordendo o travesseiro.

Quero Um Alguém que Olhe a Lua com Outros Olhos

Quero um alguém
Que ao olhar pra Lua
Sorria e admire.

Quero chamar de meu bem
Alguém que tenha alma pura
E que na Lua seus pensamentos mire.

Pelos Trilhos

Nós dois
Nossos beijos
E os trilhos do trem.

Sem pensar no depois
No caminho da fonte dos desejos,
Eu quero pedir você e mais ninguém.

Sobre Términos

Terminar
É como ficar de ressaca
Por um mês.

Terminar
É como chegar ao fundo do poço
Pulando de cabeça pela primeira vez.

Terminar
É calar a voz do pássaro que mora em você
Mesmo sem culpa, ele nada lhe fez.

Terminar
É achar que a vida é fácil como dama
E ter suas peças comidas como no xadrez.

Terminar
É ver uma ponte cair
Quando a ligação de dois mundos se desfez.

Terminar
É dar ponto final
A um talvez.

Colecionadores Compulsivos de Sentimentos Destrutivos

Há pessoas
Que adoram odiar
Falam mal do mundo
Mas o mundo nem as quer escutar.


Elas guardam sentimentos tão profundos
Que parecem âncoras que não sairão do lugar.

Desped(ida)

A despedida
Sempre é algo tão azedo.
A saudade será bem-vinda
Pois é quem chega mais cedo.


Toda vez que de ti me despeço,
Algo em mim fica faltando.
Sempre no final peço
Que o tempo que nos distancia passe voando.

A despedida
Ah, despedida...

segunda-feira, 1 de setembro de 2014

M(eu) Silêncio

O silencio me atrai
Mais do que qualquer roda de conversa
Gosto quando meus pensamentos
Tem espaço para papear sozinhos.

O silêncio
É canção para os meu ouvidos.

Dos Problemas Comuns

Os ventos que aqui ventam
São ventos que lá ventam também.
Os ventos que aqui ventam
São tormentas nas janelas de mais alguém.

Termo-mão


Nossas mãos
Suam quando se tocam
O desejo é tanto
Que faz calor.

Nossas mãos
Gelam quando se afastam
Elas sabem que a distância
É uma fria.

Rotina

Saí de casa
Achando que havia esquecido alguma coisa
Passei pela porta e conferi o terno
Estava lá
Minha pasta com a rotina
Estava lá
Meu chapéu de fidalgo
Estava lá
Tudo estava mas faltava algo.

Era teu amor.
Nunca o tive de fato
Mas em certas manhãs
Saia de casa achando que te tinhas.
Mas sempre depois de uns trinta passos na rua escura,
Os ventos frios da pós madrugada me acolhiam
E os sons que faziam entre as árvores me diziam
Que teu amor sempre será só teu e que minha esperança será só minha.

Papo-Aranha

Tuas palavras
São a forma mais cruel
De colocar alguém em transe.

Teus sussurros,
Gemidos de amor.
A forma doentia
Que tu encontras
De me deixar em desencontro.

Teus dizeres,
Por vezes só teus
Únicos como teu humor
Só servem para as tuas vontades.

Tuas exclamações,
Diabólicas e ao mesmo tempo angelicais
São o golpe final que qualquer presa,
Deseja antes das dores fatais.

Tua voz é uma rede
E tuas palavras pulsam forte em minha veia
Quanto mais fala, mais tenho sede
De me entregar ao teu papo, ser refém da tua teia.

Se Foi

Minha inspiração foi dar um passeio.
Passear por lugares onde sempre estive,
Foi para o passado ver se lá alguém ainda vive.
A inspiração não voltou, apenas uma saudade me veio.

Fotos A Gosto

Gosto de fotografar teu rosto,
Ver tuas fotos e pensar
Que como é bom recordar
Todo sentimento que em ti tenha posto.

Gosto de fotografar teu rosto,
Há sentimentos que ainda posso guardar
Mas tentando não mais em ti pensar
Vejo tuas fotos e ainda quase sinto teu gosto.

Já nem mais me lembro do teu rosto
Queimei todas tuas fotos, do passado e o presente
Mas a fumaça te recriou na minha frente,
Pude sentir o cheiro da libertação do desgosto.

O tempo passou e já estamos em agosto...

Intagram

Passo muito tempo escolhendo
Qual filtro melhor combina,
Quem sabe essa seja a minha sina:
Não aproveitar o momento vivendo.

O Meu Prob(Lema)

Comigo não tem mistério
Eu não quero nada sério,
Meu lema é:
Amor por esporte,
Compromisso sem sorte.

Caminho

O caminho até pode ser torto
Mas o sigo com esperança
E quando a caminhada me cansa
Paro na sombra para lembrar as formas do teu rosto.

Zumbi

Abri meus olhos querendo ver o céu
Mas estranhei as pessoas me olhando torto,
Qual o motivo de tamanho escarcéu?
Oh, entendi, eu estava morto...

Utilidade Pública

Criamos um ministério
E para deixar claro, um aviso:
Abolimos o assunto sério,
Trocamos a gravata pelo sorriso.

Lua

Noite bela
Lua linda
Seja bem-vinda
E alegre minha janela.

Desenho

Desenhei teu rosto no branco papel
E quis que a lembrança fosse só pra mim:
Rasguei em pedaços que voaram ao céu,
O segredo ficou entre a folha, eu e o nanquim.

Passa, Tempo


Quero que o tempo passe ligeiro,
Passar voando por cada momento.
Me pergunto se não é desejo passageiro,
Pois será que existe botão do arrependimento?

Culpa Falha

Você me faz mal
Só pelo fato de existir.
A culpa não é sua, afinal
Sou eu quem não sabe resistir.

Cisão

Hoje eu acordei assim:
Com vontade de falar
Que talvez queira te matar
Mas (não) só dentro de mim.

A vista

Eu não quero aborrecimento
Pra quê parcelamento?
Eu só aproveitar a vista,
À vista.

domingo, 3 de agosto de 2014

Ângulo

Te chamo, venha cá
Daremos uma volta no infinito
Repousaremos no lugar mais elevado que há
Só assim veremos a vida pelo jeito mais bonito.

Do
Alto.

Insônia

A noite cai
Como em qualquer outro dia.
O sono não mais me vem, só vai
Tento me lembrar de quando dormir eu conseguia.

Não consigo mais dormir,
Pois de olhos fechados certos pensamentos me causam dor.
Olhos bem abertos focados na parede escura não me deixam mentir:
A cada noite eu espero o fim do martírio com o tocar do despertador.

Chuvisco

Saio de casa e me deparo com um fino chuvisco.
Penso que menos mal, não alagará a cidade.
De repente uma voz do céu fala:
- Haverá mais, foi só um petisco!
E um raio vem anunciar a cruel tempestade.

Recusa

O sol mal nasce e um convite me faz:
- Saia desse quarto, corra atrás dela!
Retruquei com uma ideia mais eficaz
Voltar a dormir com a cortina fechando a janela.

Linha Burra

Te perdi na rua escura
Mas de desencontros já estou cheio
Vai ver o destino nos escreva em linha burra,
Ah, destino, que feio!

Sexta-Feira

Chegou sexta, meu bem
Jogue tudo para cima, esqueça o estudo.
A noite chega logo e a alegria também,
Agora é a hora de colocarmos os problemas no mudo.

Chegou sexta, meu bem.

Ônibus Lotado

No fundo da condução lotada alguém gritava:
- As coisas irão melhorar um dia, tenha fé!
Nesse momento eu só imaginava
As vantagens de se locomover a pé.

Pensamento Livre

Meu pensamento anda tão solto,
Que até parece um passarinho.
Mas nenhuma grade o deixa envolto:
Faço da liberdade o melhor lugar para se fazer ninho.

O Grande Herói

Ele não tinha o dinheiro do Batman, era bem pobre
Não tinha o sopro frio igual ao Superman
Na verdade, sentia muito frio e então sempre estava de porre.
Ele morava na rua, era o herói que achava não salvar ninguém!

Mas de muito ele não sabia,
Não construía coisas com um anel energético.
Mas muito mais ele fazia,
Era gentil com todos que passavam, até saudava com dizer poético:

"Lindo dia, confesso.
De regalo fique com minha alegria!
E leve também meu mais sincero bom dia.
Mas em troca, distribua amor, te peço!"

Morava na rua pois gostava de gente
Ou era a gente que não o gostava muito?
Era um poeta que alegrava o coração mais descontente.
Era um herói sem nada, um herói que distribuía amor gratuito.

O bom dia
De quem não conhecia
Era seu intuito.

Lacuna

Já não vejo mais o caminho,
Nem as pegadas no gelo por onde te deixei.
Menos ainda a cor do teu cabelo vermelho, roxo ou até marinho.
Oh,Clementine! Por quem eu me apaixonei?

O nosso passado
Não merecia o triste fim .
Memórias vividas agora formam um arco-íris apagado.
Oh, Clementine! Por que quisera me esquecer assim?

Para não guardar as lembranças só comigo.
Pergunto se há algum risco de dano cerebral,
E então me submeto a esse experimento, ao perigo.
Oh, Clementine! Como se as não memórias não me fizessem mal.

Mesmo sua memória me fazendo invisível
Eu ainda tento não desmoronar.
Desisto de te esquecer, era impossível.
Oh, Clementine! Por que quis me apagar?

Agora tento te guardar na memória doce
Até nas passagens do meu eu criança.
Pena que foi tarde demais, quem dera não fosse.
Agora só resta torcer para o destino reviver nossa apagada lembrança.

Oh, Clementine...

(A)Dia

O dia havia amanhecido
Como todo outro dia que já se tenha passado.
Tudo estava tão normal, tudo já vivido
Teriam as novidades acabado?

O gosto do café gelado era igual
A três colheres de açúcar não mudaram.
O pó de café que ficava no fundo da xícara, normal.
As esperança daquela manhã se findaram.

Será que mais um dia se passou?

sexta-feira, 4 de julho de 2014

Fadiga

Subo de elevador
Pois a fadiga me dera uma vida cansada.
Na descida, todo santo ajuda.
Ainda bem, prefiro ver o paraíso pela escada.

Eureka!

Ele acordou de madrugada gritando:
- Eureka, Eureka! Consegui o que precisava!
Logo se ouviu o murmurar dos vizinhos reclamando:
- Vá dormir, nos deixe voltar ao mundo que nosso sonho passava!

Todos o chamaram de louco
E alguns até de demente.
Mas ele sabia que disso, não tinha nem um pouco:
Dizia que só tinha um ritmo criativo diferente.

Tu, Canção

Se tu,
Que enches meu ouvido
Com falar doce
E de dizer melodioso,
Fosse uma música à capela,
De violão
Ou de viola
Seria daquela
Que depois de mil vezes escutada
Se sai cantando por ai.
Seria música que se cantarola.

Nostalgia

Olho o passado,
E o sentimento da saudade me vem.
A alegria que antes a vida tenha me dado
É sinal que o passado ainda me tem.

PorCofrinho

Do alto da estante ele olhava
De cantinho, mas com desejo de lá embaixo estar
A quantidade de gente que por ali passava
Ele só queria descer, passear.

Pensava e pensava,
Mas não sabia o que ele mesmo seria
Imaginava e imaginava
Queria saber o que o futuro o traria.

Na dúvida que se fazia
Ou porco ou cofrinho
Adotou o nome que anotado veio na embalagem que o trazia
Chamou-se, então, de Porcofrinho!

Porcofrinho não era porco que fuça e ronca
Nem cofre que só moeda na vida guardou
Era porco que de tão ficar parado merecia bronca
Era cofre que de tão bonito, nunca dinheiro faltou.

De tanto ver gente alegre
Até ficava triste por nada poder fazer
A tristeza batia e ele achava que era febre
Mas na verdade, pela fresta da janela era o sol que nele insistia em bater.

Cansado de ficar parado
Decidiu montar um plano
Iria se concentrar, sacudir até que movimento tivesse criado
Para lá em baixo cair, que porco-cofre insano!

Dito e feito,
Porcofrinho caiu e se quebrou.
E agora a dor no peito:
Ninguém sabia como, ninguém o consertou.

A família muito triste
Comovida e sensível
Não imaginava que o amor pelo vidro também existe.
Juntou suas partes e tentou o impossível.

Chamou um senhor que fazia brinquedo
Pediu que com o material dado, refizesse a alegria da casa.
Podia não dar certo, todos ficaram com medo.
Que sentimento estranho a família sentia, pois era apreensão que os tomava.

Alguns dias haviam passado
E lá o senhor dos brinquedos de volta estava
Entregou a encomenda, a lágrima pelo rosto da família quase escapava.
O grande dia havia chegado.

Desembrulharam com velocidade
E assim que o embrulho saiu, veio toda a felicidade.
O senhor, que pago foi com o dinheiro do cofrinho,
Criou agora um porco que era só brinquedo, brinquedinho.

Nada mais o porco brinquedo queria,
Seu sonho de ser brinquedo se realizaria.
Pela mão de todos agora ela passava.
Agora seu futuro, imaginar mais ele nem precisava.

Porcofrinho,
Que agora é porco brinquedo
Viveu feliz e sentiu o amor de bem pertinho.
Agora dentro do cofre do peito, ao invés de moedas, guardava o mais belo enredo.

InfiniTempo

Contigo,
Toda solidão desaparece.
O tempo vem e nem ligo,
Toda vida envivece.

Sinal da tua presença,
É a confirmação de toda minha crença
De que o relógio faz pirraça
A hora mais rápido nele passa.

Quem dera
Que o tempo
Fosse infinito.

Poema Sincero

Te invado,
Sem permissão ou licença.
Como se soubesse todo teu pecado,
Como se já não bastasse nenhuma crença.

Sei mais das tuas verdades,
Do que poderias imaginar, eu espero.
Sem querer, exponho toda a tua fragilidade
Não sou cruel e nem mal intencionado, sou só um poema sincero.

Sexta 13

Ah, o azar:
Gato preto cruzou minha frente
A escada aberta insistia em meu caminho ficar
Ah, sexta - feira 13 não poderia ser diferente!

Ah, o azar!
Quisera que fosse só um dia por ano.
Ah, o azar!
Toda superstição é um mero engano?

Gato 13

Hoje é sexta-feira 13. Sim. Quando saia de casa pela manhã um gato preto cruzou meu caminho. Olhei com aquele olhar estereotipado "Sexta 13 e esse bicho me aparece". Normal. Mas aqueles olhinhos de tristeza dele me olharam e parecia que retrucava " Ó, humano. Ó, humano! Não me julgues, posso ser símbolo do azar mas julgar por estereótipo é sinônimo de ignorância!" Ele me convenceu. O abracei, rimos e brincamos. Ele me arranhou. Está sangrando. Me ajude. Maldita sexta-feira 13 e suas armadilhas!

Procrastinação

Pensei em escrever um poema
Mas

Pensei.

Quebra-cabeça

Depois que o acaso nos juntou,
Demos risada
De toda peça errada
Que antes na vida não se encaixou.

Diminuto

Traz tua amargura,
Vem juntar com a minha.
Que esqueçamos toda a desventura,
E o problema seja sempre probleminha.

Só Dormir

A distância entre a cama e o interruptor
Foi o tempo necessário para refletir
Que era melhor nem acender, deixar meus problemas em negror,
Voltar para cama e dormir, só dormir.

(In)

Estávamos distantes
Mas não um cômodo ou outro nos separava
Entre nós
Havia
Um
Incômodo.

Mordiscada

Essa mania de tentar tirar um pedaço meu.
Mas sempre é vez perdida,
Pare com essa mordida
Já sou todo seu.

Notívago

Durmo tarde
Pois minha mente não cansa.
Meu corpo pede um sono de eternidade
Mas fico lá, revivendo qualquer lembrança.


(Notívago: Indivíduo que admira a vida noturna; que prefere conviver à noite.)

terça-feira, 3 de junho de 2014

Ela enquanto descia do ônibus,
Dava um olhar de adeus, até logo talvez.
Seu olho triste questionava o ônus: 
Por que não nos falamos mais uma vez?  

E ele ficava parado,  
Nem uma palavra da sua boca saia.  
Lá sem saber ficou calado,  
Perdeu as oportunidades que um simples oi traria.   

E lá mais um encontro criado pelo acaso  
Se foi sem nenhum progresso.  
E ele e ela para o futuro criavam um atraso  
Mal sabiam que para a felicidade uma conversa seria o acesso.

DiaboA4

Joguei todos meus sentimentos num pedaço de papel  
Escrevi sobre mim.  
No branco da folha, vi surgir uma criatura que não era do céu  
Quisera que ele fosse o juiz que traria para minha tristeza o fim. 

O demônio cresceu. 
Vi seus olhos sem nenhuma compaixão.  
Da minha tempestade ele não se compadeceu,

Nessa hora minha coragem estava no chão
.    
Ele me insultava  
Com palavra rude e grossa.
Me lembro que as mesmas palavras antes eu pronunciava.  
Eu era o diabo, minha nossa!   

Ele representava meu lado ruim.  
Deixei aparecer quando abri meu coração e a bondade ficou de lado. 
Mas quem é que leva esse poema ao fim,  
Esse sou eu ou somos o diabo?

Fim da Linha

Me falaram que a vida é um caminho por onde se passa ligeiro  
Que o motorista tem pressa em chegar ao fim da linha. 
Por isso peço: Seu motorista, tenha calma com a vida minha, 
Nesse caminho quero ser eterno passageiro.

Manhã Fria

Acordar nessa manhã foi maldade, 
Dormir mais eu bem queria.  
Quem na cama não quer ficar até tarde? 
Afinal, sair nesse frio é uma fria.

Da Rede Social...

Eu dou risada  
E a verdade nela não há. 
Pois até de cara fechada,  
A minha risada é KKK.

Neblina

A neblina cai  
O sereno deixa o chão frio.  
Mas nenhum mal me causa ainda, 
Por isso peço: Não invada meu pensamento,  
Não me confundas com essa névoa sua.
Peço que não me envolvas nesse seu gelado encantamento  
Ó neblina, permaneça na rua.

Teatro dos Horrores 

Que rufem os tambores 
Salva de palmas!  
Somos o teatro dos horrores  
Vamos roubar suas almas!   

Assim gritavam os artistas  
Numa solene e única voz  
O espetáculo chamava nossas vistas  
Mas o medo reinava sobre nós.  

Falavam de alegria e dor  
De todo problema rotineiro  
Falavam até daquele platônico amor  
Toda situação ganhava vida em seu roteiro.

O teatro causava medo 
Apresentação 
Choros ecoavam do meio do enredo
Eles tocam a ferida de qualquer lástima! 

O teatro era parte da cidade  
Para que todos desconfiarem dos seus 
Para todos esquecerem a bondade. 
Isso era loucura, por Deus!

Sobre Água e Saudade

O marinheiro olhava para fora do navio 
Via que a saudade lhe tomava  
E o desejo de voltar para casa o atormentava.
Mas de tormenta ele já entendia, era tudo um vazio.  
  
A tempestade mal tinha começado 
Ele com uma foto da família ficou 
As nuvens negras se movimentaram, estava cercado. 
Um inferno sob água se formou. 

A água não poderia ser seu último leito
Fez uma promessa: Da tempestade vivo sairia!
Apesar do frio, a saudade esquentava seu peito.
E a certeza que para sua casa voltaria. 

Mais chuva e mais vento!
Depois de horas resistindo bravamente  
O céu sorriu e lá se foi o tormento 
A caminho do cais seu navio seguia rapidamente.  

Da água ele já estava cheio, essa vida cansa
Mas em casa finalmente, a família não mais o largou 
Seu peito não resistiu e pelos olhos transbordou
As lágrimas formaram um mar de água mansa.