domingo, 28 de maio de 2017

então
você veio
e me bagunçou.
mas ainda não há
um furacão com seu nome.
nunca saio ileso
porque vou
sem armadura.
dói, sim,
mas quando for amor,
cura.
não me leve a mal,
mas a passagem está cara
e se não for profundo
eu nem quero.
mas se for para valer,
marque nosso encontro
em qualquer lugar
do mundo.
no beijo
no toque
no gozo
no bom dia.

haverá tuas faltas
até que numa hora dessas
não mais.

mas ainda falta muito.
O adeus virá e azedará a sua semana ou mês ou ano como uma comida estragada que deixa cheiro ruim na geladeira. Mas nada é eterno depois de uma boa limpeza.
parece uma disputa
onde ninguém
quer se apegar.
já eu,
não desapego da ideia
de que há
disputa melhor,
como ver quem manda bom dia
primeiro, quem abre a alma,
quem conversa gostoso,
quem dá a mão sem medo,
quem manda mensagem de madrugada,
quem se joga junto.
estar perto
não é questão 
de física.
é coração,
é química.

quinta-feira, 6 de abril de 2017

a estranha lógica
de dar certo:
é quando alguém soma
e mesmo assim
não é mais um.
vamos falar merda
muita, muita merda
até o bar fechar.
a noite é nossa
eu pago a próxima
ninguém sai até
o bar fechar.
e se fechar mais cedo
vamos morar na madrugada
porque a lua pode ser
um bom abajur pra nós.
intimidade não é
beijar e foder.
isso todo corpo consegue.
mas conversar até
a madrugada
com alguém
sobre qualquer assunto
e querer ainda mais.
vinhos que abrem sem rolha,
tampas de cerveja que saem fácil
e amores recíprocos:
eu só quero facilidade para 
me embebedar.
tomara que
o futuro
tenha um furo
por onde nós possamos
entrar juntos
de mansinho.
sempre vai haver
alguém chorando
e um ar condicionado pingando.
menos num deserto
físico ou emocional.
por isso,
pingue.
ninguém quer estar
num deserto.
é mesa pra um
já que pensar em você
não conta e nem
te traz aqui.